Artigo Profissional

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Por: MARTA MOURA
Especialista em Reabilitação Abdominal, criadora da App Marta Moura Fitness, autora do livro Mamãs Fit

A barriga depois dos 40 não é falta de força de vontade...

É biologia, são hormonas, é pressão. Tem explicação científica e a solução é mais simples
do que imaginas.
Há uma queixa que ouço constantemente das mulheres que me seguem e que tantas
vezes também eu própria senti. "Faço tudo certo. Como bem, mexo-me, cuido-me. E a
barriga continua lá." Se te revês nestas palavras, preciso de te dizer uma coisa: não é
fraqueza. Não é falta de disciplina. É o teu corpo a mudar e ninguém te explicou como
acompanhar essa mudança.

O QUE MUDA NO CORPO DA MULHER DEPOIS DOS 40
A partir dos 40 anos, os níveis de estrogénio começam a oscilar e eventualmente a diminuir.
Esta alteração hormonal tem um efeito muito direto: a gordura deixa de se distribuir
preferencialmente nas ancas e coxas e passa a acumular-se na zona da barriga. Não é
imaginação. É fisiologia feminina.
A isto soma-se uma perda natural de massa muscular chamada sarcopenia que começa a acelerar precisamente nesta fase. Menos músculo significa um metabolismo mais lento, menos tonacidade, e uma zona central que "cede" mais facilmente.
E depois existe um terceiro fator, quase nunca mencionado: a pressão intra-abdominal. Com o envelhecimento, o pavimento pélvico perde tensão, a postura altera-se, e a barriga começa a projetar-se para a frente não por excesso de gordura, mas por falta de sustentação interna. É como se o “espartilho" natural do corpo deixasse de funcionar em pleno.

O ERRO QUE QUASE TODAS COMETEMOS

Quando a barriga aparece, a resposta instintiva é fazer abdominais. Muitos. Os clássicos crunch, sit-up, prancha estática que toda a gente conhece. O problema é que estes exercícios aumentam precisamente a pressão intra-abdominal que referimos. Em vez de "apertar" a barriga de dentro para fora, empurram os órgãos para baixo e para a frente. Para mulheres que já têm algum grau de separação dos músculos abdominais  a chamada diástase abdominal, muito comum depois de gravidezes  estes exercícios podem ainda agravar a separação existente. O resultado? Trabalho sem resultado, resultado inverso e muitas vezes frustração.

O QUE O CORPO FEMININO REALMENTE PRECISA
A resposta está em trabalhar a barriga de dentro para fora. Não na superfície, mas na
camada mais profunda o transverso abdominal que funciona como um espartilho
natural em volta de toda a região central.
Exercícios de ativação profunda, como a respiração diafragmática com contração consciente ou a apneia postural com alongamento axial técnicas que fazem parte do universo hipopressivo ensinam o corpo a criar sustentação interna sem aumentar a pressão sobre o pavimento pélvico. São exercícios silenciosos, pouco vistosos, e extraordinariamente eficazes.
A boa notícia é que estes exercícios não exigem equipamento, podem ser feitos em casa, e
os primeiros resultados em termos de postura, de sensação de "cintura" e de menos inchaço na barriga surgem nas primeiras semanas.

FORÇA E MÚSCULO: A OUTRA METADE DA EQUAÇÃO

Paralelamente ao trabalho de ativação profunda, o treino de força torna-se essencial depois dos 40. Não para "ficar musculada" a menos que isso seja o teu objetivo mas para
combater a sarcopenia, manter o metabolismo ativo, e dar ao corpo a estrutura que as
hormonas já não garantem sozinhas.

Não é preciso ir a um ginásio. Não é preciso levantar grandes pesos. Mas é preciso desafiar o músculo com regularidade e isso muda tudo: o corpo, a energia, a postura, e a relação que tens contigo própria.

UMA ÚLTIMA COISA
Se chegaste aos 40, aos 45, aos 50 a sentir que o teu corpo te traiu quero que saibas que não foi isso que aconteceu. O teu corpo está a adaptar-se. A tua missão agora é perceber as novas regras do jogo e treinar a teu favor.
A barriga que não cede não é um fracasso. É um convite para conheceres o teu corpo mais
fundo do que alguma vez conheceste.