ARTIGO PROFISSIONAL
21.09.2026
Por: Dra. Vanessa Sousa Mendes | OM: 54464
Especialista em Medicina Preventiva e Longevidade | Médica na Timeless by Marta Padilha
Depois dos 40, a gordura acumula-se mais na barriga?
“Não engordei assim tanto, mas a minha barriga mudou.” É uma frase frequente depois dos 40 anos. A cintura aumenta, a gordura abdominal parece mais difícil de perder e, em algumas mulheres, surge também a sensação de “barriga inchada”. Não é apenas uma impressão. A partir dos 40, o corpo feminino começa a mudar, mas isso não significa que todas as mulheres estejam já em perimenopausa. A menopausa ocorre, em média, por volta dos 51 anos e a perimenopausa, período de transição que a antecede, dura em média cerca de quatro anos, embora exista uma grande variabilidade.
Porque aumenta a gordura abdominal?
Durante a perimenopausa, as hormonas, nomeadamente os estrogénios, tornam-se mais irregulares e acabam por diminuir. Esta alteração favorece uma mudança na distribuição da gordura corporal, com maior tendência para a acumulação na região abdominal, incluindo gordura visceral, aquela que se encontra em redor dos órgãos. Ao mesmo tempo, com a idade, tendemos a perder massa muscular. E menos músculo significa também menor gasto de energia. Se acrescentarmos menos atividade física, alterações do sono e stress, percebemos porque é possível manter hábitos semelhantes e, ainda assim, começar a notar diferenças no corpo.
Mas nem todo o aumento do volume abdominal é gordura!
Gordura abdominal e distensão abdominal são diferentes — e podem coexistir. A distensão abdominal, aquilo a que habitualmente chamamos “barriga inchada”, pode estar relacionada com obstipação, produção excessiva de gases, alterações da motilidade e da microbiota intestinal, perturbações funcionais do intestino, intolerâncias alimentares ou até determinados hábitos alimentares. Por isso, antes de tentar “perder barriga”, importa perceber o que está realmente a acontecer: gordura abdominal, distensão ou uma combinação das duas?
O que podemos fazer para contrariar estas alterações?
A solução não passa simplesmente por comer menos. Uma alimentação equilibrada, com proteína adequada, alimentos ricos em fibra e uma boa hidratação, ajuda a preservar a massa muscular, controlar o apetite e manter o intestino a funcionar de forma regular. O treino de força e a atividade física regular são igualmente importantes para preservar músculo, controlar a gordura abdominal e melhorar a saúde metabólica. Também o sono e a gestão do stress fazem parte deste equilíbrio. Dormir mal e viver sob stress constante pode interferir com a regulação do apetite e dificultar o controlo do peso. E quando a obstipação, a distensão abdominal ou outros sintomas intestinais persistem, é importante perceber a causa em vez de simplesmente retirar alimentos ou aumentar a fibra.
Depois dos 40, cuidar do corpo é também investir na longevidade.
Estas alterações não devem ser encaradas como uma consequência inevitável da idade. Uma avaliação individualizada permite perceber o que está a mudar e atuar sobre fatores como a alimentação, exercício, sono, saúde intestinal e, quando necessário, o contexto hormonal. E o objetivo vai muito além da estética. Preservar massa muscular, reduzir a gordura visceral e manter uma boa saúde metabólica são fundamentais para envelhecer com mais saúde. Porque falar de longevidade não é apenas falar de viver mais anos. É, sobretudo, viver mais anos com saúde, autonomia e qualidade de vida.