ARTIGO PROFISSIONAL

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Por: Catarina Lucas | Psicóloga 

Stress ou açúcar: qual o pior para o nosso corpo? 

Há uma ideia que precisamos olhar de frente, mas que continuamos a olhar apenas de lado. Não é só aquilo que comemos que mexe com o nosso corpo. É também aquilo que sentimos todos os dias.

Quando o stress passa de uma resposta pontual para um estado permanente, o organismo fica preso em modo de alerta. É como se o corpo estivesse constantemente a ouvir “Perigo! Tens de aguentar mais um bocadinho.” E esse “mais um bocadinho”, quando dura meses ou anos, tem um preço.

O stress contribui para processos inflamatórios, alterações hormonais, perturbações do sono, ansiedade, cansaço e dificuldade em recuperar física e emocionalmente. E, na mulher, tudo isto pode cruzar-se com fases particularmente exigentes da vida como a maternidade, perimenopausa, menopausa ou ciclos menstruais.

Vivemos muitas vezes a tentar fazer tudo: trabalhar, cuidar dos filhos, gerir a casa, responder a mensagens, estar disponíveis para os outros e, pelo meio, ainda “ter tempo para nós”. O problema é que o corpo não distingue um email urgente de uma ameaça real. Se estamos constantemente em tensão, a nossa biologia responde. Uma mulher cansada não precisa de mais culpa. Precisa de mais cuidado.

O stress prolongado pode afetar o sono, o apetite, a energia, a concentração e até a libido. E quando uma mulher passa semanas ou meses a dormir mal, preocupada, irritada ou emocionalmente esgotada, é natural que exista um impacto.

Por isso, quando falamos de saúde, não podemos olhar apenas para o açúcar, as calorias ou o peso. Precisamos de olhar para a pessoa inteira. O que está a acontecer na nossa cabeça? Como estamos a dormir? Estamos sempre em alerta? Temos tempo para respirar? Sentimos prazer? Sentimo-nos seguros?

O stress não deve ser romantizado. Estar sempre ocupada não é ser mais produtiva. Aguentar tudo não é ser mais forte. E dizer “eu consigo” enquanto o corpo pede descanso não é uma medalha. Prevenir o stress, é aprender a dizer não. É dormir. É mexer o corpo. É pedir ajuda. É criar momentos de prazer.

É desligar. É respirar. É fazer terapia. É voltar a ouvir o corpo antes que ele seja obrigado a gritar. Viver permanentemente em modo sobrevivência não é viver bem. E nenhuma mulher deveria precisar de chegar ao limite para perceber que também merece ser cuidada.