Artigo Profissional

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Por: Virgínia Marques | Nutricionista na área da Fertilidade e Gravidez

Vai tentar engravidar este ano?

O que a nutrição pode fazer pela fertilidade da mulher antes da conceção?
Quando se fala em gravidez, a maioria das mulheres pensa apenas no momento em que o teste dá positivo. No entanto, a ciência tem mostrado que a saúde do bebé começa muito antes da conceção. O período pré-concecional, idealmente 3 a 6 meses antes de engravidar, é uma janela importante para preparar o organismo para receber um bebé, otimizar a fertilidade e reduzir riscos de intercorrências na gravidez.

O corpo feminino precisa de estar metabolicamente equilibrado para gerar vida. Ovulação, qualidade dos óvulos, receptividade do endométrio e implantação são influenciados pelo estado nutricional. Condições como inflamação crónica, resistência à insulina, défices nutricionais, excesso de peso ou magreza extrema podem comprometer estes processos. Idealmente, o organismo deveria ser cuidado ainda antes de engravidar. “Cuidar” significa corrigir carências nutricionais, melhorar a qualidade da alimentação, estabilizar a glicemia, apoiar a função hepática (essencial para o metabolismo hormonal), promover uma boa saúde intestinal e uma boa rotina de sono. Este trabalho prévio, aumenta as probabilidades de uma gravidez saudável e contribui para o desenvolvimento adequado do embrião desde os primeiros dias.

 

Nutrientes com mais destaque na fertilidade feminina:

  • Ácido fólico: essencial para a divisão celular e prevenção de defeitos do tubo neural.
  • Ferro: importante para a produção hormonal e implantação do embrião
  • Iodo: fundamental para o funcionamento da tiroide, tendo esta um impacto significativo na fertilidade.
  • Vitamina D: participa na regulação imunitária e hormonal
  • Ómega-3: contribui para a redução da inflamação e ajuda a melhorar a qualidade dos óvulos.
  • Zinco: importante para a maturação e qualidade dos óvulos

 

Apesar da suplementação por vezes ser necessária, os alimentos continuam a ser a base insubstituível de uma boa nutrição. Quando indicada, a suplementação deveria ser sempre orientada por um profissional qualificado, para garantir que é eficaz e não acarretar riscos. Então o que comer para melhorar a fertilidade? Para além de corrigir eventuais carências nutricionais, um padrão alimentar de estilo mediterrânico tem sido associado a melhor qualidade de óvulos e maior taxa de gravidez, mesmo em casos de tratamentos de procriação medicamente assistida.

Este padrão alimentar é caracterizado pela presença de:

  • Vegetais – consumidos tanto crus em saladas como cozinhados
  • Fruta – com especial atenção às variedades vermelhas, roxas e alaranjadas pelo seu potencial benefício na fertilidade, embora todas sejam importantes
  • Leguminosas
  • Peixe – idealmente 2 a 3 vezes por semana
  • Cereais integrais
  • Azeite como principal fonte de gordura
  • Frutos oleaginosos

 

A ingestão adequada de proteína e gorduras saudáveis é igualmente importante para a produção hormonal. Para apoiar o sistema reprodutor é ainda importante: Evitar dietas muito restritivas como a eliminação de grupos alimentares sem orientação e o consumo excessivo de cafeína e álcool. Dietas ricas em açúcares simples, farinhas refinadas e ultra processados também devem ser desencorajados, uma vez que estão associadas a descontrolo glicémico, resistência à insulina, podendo, com isso, interferir com o equilíbrio hormonal e ainda impactar negativamente na qualidade dos óvulos. Preparar uma gravidez é um investimento na saúde futura da mãe e do bebé. A nutrição na preconcepção é o primeiro passo para um início de vida mais saudável.