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ARTIGO PROFISSIONAL

25.09.2026

ARTIGO PROFISSIONAL

Por: Dra. Sandra Neto | Sexóloga

De que forma é que a menopausa interfere com as emoções das mulheres?

"Eu não era assim. O que é que se está a passar comigo?"

Se já te fizeste esta pergunta, quero começar por te dizer uma coisa: não estás a enlouquecer, e não estás sozinha.

Falamos muito dos afrontamentos, das alterações menstruais, do sono. Mas há mudanças que ninguém vê de fora. És tu a chorar com um anúncio na televisão. És tu a perder a paciência com quem mais amas e a sentir culpa cinco minutos depois. És tu a entrar na cozinha e não saberes o que lá foste buscar. É também aquela vontade súbita de cancelar planos e ficar sozinha, ou levares uma crítica que antes deixavas escorregar e ela ficar a doer o dia todo. E porque ninguém vê, torna-se mais difícil de explicar e muito mais difícil de pedir ajuda.

Há uma explicação para isto, e é uma boa notícia, porque tira-te o peso de cima dos ombros e evita que as transformes numa conclusão negativa sobre ti própria.

Na perimenopausa, o teu estrogénio não vai descendo devagarinho, como se costuma pensar. Sobe e desce sem avisar. E o estrogénio não trabalha só nos teus ovários, é ele que ajuda a manter em equilíbrio a serotonina e a dopamina, as substâncias que regulam o teu bom humor. Imagina que alguém está a mexer no botão do volume das tuas emoções sem te pedir licença. E por isso, o que te desorganiza não é a falta de hormonas mas sim esta imprevisibilidade.

Há ainda outra peça. A tua progesterona dá origem a uma substância que funciona como um “travão” desse mesmo botão do volume, quase como um calmante, é ela que normalmente evita que as tuas emoções disparem para o máximo. À medida que os teus ciclos se tornam irregulares, este efeito tranquilizante natural deixa de ser previsível. É por isso que te aparece aquela ansiedade sem motivo, ou sentes o pavio mais curto do que era teu costume.

E a tal névoa mental que sentes? Também tem  uma razão. O estrogénio atua nas zonas do teu cérebro que guardam a memória e que te ajudam a estar atenta e organizada. Por isso as queixas são quase sempre as mesmas: a palavra que não te vem, o nome que se perde a meio da frase, a impossibilidade de fazeres três coisas ao mesmo tempo como antes. Deixa-me dizer-te uma coisa, porque é um medo que ouço muito em consulta e que te quero poupar a ele: na maioria das mulheres, esta névoa é passageira e melhora depois da menopausa. Não é o início de uma demência.

A isto junta-se o teu sono. Acordares várias vezes por noite, meses a fio, rouba-te precisamente as horas em que o cérebro arruma a memória e recarrega a paciência. Qualquer pessoa fica mais irritável assim.

Ainda assim, a tua menopausa não é igual à de mais ninguém. Há mulheres que atravessam esta fase praticamente sem sobressaltos e outras que se sentem completamente assustadas com o que está acontecer com elas. E isso não quer dizer nada sobre ti!

Se a tua tristeza ou ansiedade se arrastarem por semanas e te tirarem o gosto pelas coisas, por favor não esperes que passe sozinha. Fala com alguém ou procura ajuda especializada porque não tens simplesmente de “aguentar” porque estás na menopausa.

Porque não, não és "chata". Estás a adaptar-te a um corpo que mudou as regras a meio do jogo. E continuas a ser tu.

 

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22.09.2026

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A teoria do set point metabólico Por: Dra. Joana Menezes - Endocrinologia Todos conhecemos alguém que perdeu peso e recuperou o peso perdido ou até mais. E todos a mesma lengalenga de sempre “não teve força de vontade”, “olha como se pôs” ou pior “foi culpa minha”, “eu descontrolei-me e voltei ao mesmo”. NÃO! Está na altura de mudarmos a narrativa e de retirarmos este estigma de cima das pessoas que vivem com obesidade. Porque NÃO! NÃO é culpa delas, nem falta de vontade nem preguiça. É uma resposta NORMAL biológica, metabólica, tão normal quanto suar numa sauna, tremer com frio em água gelada ou não se conseguir focar tendo PHDA. Mas como? O corpo humano comporta-se, em relação ao peso, como um termóstato. Não defende um número exato, à vírgula, mas uma faixa de peso, e trabalha ativamente para se manter dentro dela. É a isto que se chama set point metabólico, ou peso defendido. Quando descemos abaixo dessa faixa, o organismo não fica indiferente: reage (como reage para suar dentro de uma sauna).E reage de forma muito concreta. O gasto energético diminui mais do que seria previsível pela massa que se perdeu - o corpo passa a funcionar com menos combustível do que teria de gastar alguém do mesmo tamanho que nunca tivesse emagrecido (diminuição do metabolismo basal). Ao mesmo tempo, as hormonas que regulam o apetite mudam de posição: a leptina, que sinaliza saciedade, desce; a grelina, que desperta a fome, sobe. O resultado é sentir mais fome, mais craving (desejos) e gastar menos energia (mesmo que mantenha a massa muscular e hábitos de vida saudáveis). O estudo mais conhecido acompanhou concorrentes de um programa televisivo de perda de peso durante seis anos (Biggest Loser). A maioria recuperou o peso, mas o dado que ficou foi outro: o metabolismo continuava reduzido anos depois, mesmo nos que tinham voltado ao ponto de partida. O corpo mantinha a defesa muito para lá do fim da dieta. Vista assim, a recuperação de peso deixa de ser um fracasso moral e passa a ser aquilo que é: uma resposta biológica previsível.Isto não retira responsabilidade a ninguém, mas muda a pergunta, o paradigma e o estigma. A questão não é porque é que a pessoa não conseguiu manter o peso perdido. É por que razão esperamos que alguém vença, à força de vontade e indefinidamente, um sistema que a evolução afinou durante milénios para nos proteger contra a escassez - sim, isto é uma herança biológica dos nossos antepassados, é uma vantagem adaptativa, evolutiva. Fica então a pergunta seguinte: o ponto defendido pode mudar? A resposta parece ser que sim, ainda que devagar e sem sabermos prazos nem limites de tempo. Os tratamentos que atuam sobre as próprias vias hormonais da regulação do apetite - a cirurgia metabólica e os fármacos mais recentes - não se limitam a fazer perder peso, lutam contra a resposta de biológica de aumento de fome e craving e parecem baixar o patamar que o corpo defende. É também por isso que, ao suspender o tratamento, o peso tende a voltar. Não é o medicamento que falha; é o ponto defendido que regressa ao que era. Faz mais sentido pensar nisto como se pensa na tensão arterial do que como se pensa num antibiótico. É justo dizer que a teoria não é consensual na sua forma mais rígida. Há investigadores que defendem modelos mais flexíveis, em que o ambiente, a disponibilidade de comida e os hábitos deslocam esse ponto ao longo da vida. Mas o essencial é aceite: existe uma regulação biológica ativa, e ela não se desliga por decisão. Na prática, o que daqui retiramos todos - NÃO a culpa não é sua; o corpo NÃO está contra si - está a fazer aquilo para que foi construído. Os 5 pilares de medicina de estilo de vida: alimentação saudável, atividade física regular, saúde do sono, boa gestão do stress, evicção de substâncias nocivas à saúde. Desmistificando alimentação saudável, não, a culpa não é da sopa da batata nem do pão do pequeno-almoço. Uma alimentação saudável, à data de hoje, é a mediterrânea, de forma muito simples, a nossa tradicional "roda dos alimentos" da escola primária. A questão está na sua conjugação e nas quantidades. Dar primazia aos micronutrientes (vitaminas minerais presentes por exemplo em legumes frutas) e comer os macronutrientes (hidratos de carbono de libertação lenta, proteínas e gorduras idealmente as boas) em proporção apropriada. De notar que em pessoas em processo de perda de peso, deve-se reforçar o aporte de proteína para não comprometer a massa muscular. E sem dúvida alguma nunca deixar o seguimento, nem que seja anual, pelo seu médico, porque o problema não está em perder peso, mas sim em manter o peso perdido.

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21.09.2026

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Por: Dra. Vanessa Sousa Mendes | OM: 54464 Especialista em Medicina Preventiva e Longevidade | Médica na Timeless by Marta Padilha Depois dos 40, a gordura acumula-se mais na barriga?  “Não engordei assim tanto, mas a minha barriga mudou.” É uma frase frequente depois dos 40 anos. A cintura aumenta, a gordura abdominal parece mais difícil de perder e, em algumas mulheres, surge também a sensação de “barriga inchada”. Não é apenas uma impressão. A partir dos 40, o corpo feminino começa a mudar, mas isso não significa que todas as mulheres estejam já em perimenopausa. A menopausa ocorre, em média, por volta dos 51 anos e a perimenopausa, período de transição que a antecede, dura em média cerca de quatro anos, embora exista uma grande variabilidade. Porque aumenta a gordura abdominal? Durante a perimenopausa, as hormonas, nomeadamente os estrogénios, tornam-se mais irregulares e acabam por diminuir. Esta alteração favorece uma mudança na distribuição da gordura corporal, com maior tendência para a acumulação na região abdominal, incluindo gordura visceral, aquela que se encontra em redor dos órgãos. Ao mesmo tempo, com a idade, tendemos a perder massa muscular. E menos músculo significa também menor gasto de energia. Se acrescentarmos menos atividade física, alterações do sono e stress, percebemos porque é possível manter hábitos semelhantes e, ainda assim, começar a notar diferenças no corpo. Mas nem todo o aumento do volume abdominal é gordura! Gordura abdominal e distensão abdominal são diferentes — e podem coexistir. A distensão abdominal, aquilo a que habitualmente chamamos “barriga inchada”, pode estar relacionada com obstipação, produção excessiva de gases, alterações da motilidade e da microbiota intestinal, perturbações funcionais do intestino, intolerâncias alimentares ou até determinados hábitos alimentares. Por isso, antes de tentar “perder barriga”, importa perceber o que está realmente a acontecer: gordura abdominal, distensão ou uma combinação das duas? O que podemos fazer para contrariar estas alterações? A solução não passa simplesmente por comer menos. Uma alimentação equilibrada, com proteína adequada, alimentos ricos em fibra e uma boa hidratação, ajuda a preservar a massa muscular, controlar o apetite e manter o intestino a funcionar de forma regular. O treino de força e a atividade física regular são igualmente importantes para preservar músculo, controlar a gordura abdominal e melhorar a saúde metabólica. Também o sono e a gestão do stress fazem parte deste equilíbrio. Dormir mal e viver sob stress constante pode interferir com a regulação do apetite e dificultar o controlo do peso. E quando a obstipação, a distensão abdominal ou outros sintomas intestinais persistem, é importante perceber a causa em vez de simplesmente retirar alimentos ou aumentar a fibra. Depois dos 40, cuidar do corpo é também investir na longevidade. Estas alterações não devem ser encaradas como uma consequência inevitável da idade. Uma avaliação individualizada permite perceber o que está a mudar e atuar sobre fatores como a alimentação, exercício, sono, saúde intestinal e, quando necessário, o contexto hormonal. E o objetivo vai muito além da estética. Preservar massa muscular, reduzir a gordura visceral e manter uma boa saúde metabólica são fundamentais para envelhecer com mais saúde. Porque falar de longevidade não é apenas falar de viver mais anos. É, sobretudo, viver mais anos com saúde, autonomia e qualidade de vida. 

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16.09.2026

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Por: Iara Rodrigues | Nutricionista 1344N Que alimentos são aliados na saúde da mulher quando entra na perimenopausa / menopausa (e a função de cada um deles) A menopausa não acontece de um dia para o outro. A perimenopausa pode começar vários anos antes e trazer alterações no sono, composição corporal, distribuição da gordura, massa muscular, saúde óssea e risco cardiometabólico. A alimentação não impede esta transição natural nem substitui uma avaliação médica quando necessária. Mas pode ser uma ferramenta muito importante para proteger a saúde nesta nova fase.   Proteína: proteger músculo e força Com o avançar da idade, preservar massa muscular torna-se cada vez mais importante. Na menopausa, esta preocupação ganha ainda mais relevância. Ovos, peixe, carnes magras, iogurte, queijo cottage, leguminosas, tofu e outras fontes proteicas devem estar distribuídos ao longo do dia, em vez de concentrarmos praticamente toda a proteína numa única refeição. A proteína, associada ao exercício de força, é uma das grandes aliadas da preservação da massa muscular.   Cálcio e vitamina D: olhar para o osso A redução dos estrogénios acelera a perda de massa óssea. Por isso, cálcio e vitamina D assumem particular importância. Kéfir e queijo de cabra são boas fontes de cálcio, assim como bebidas vegetais fortificadas, algumas verduras, tofu preparado com cálcio e determinados peixes consumidos com espinha, como a sardinha. A vitamina D merece uma atenção individualizada, uma vez que existem poucas fontes alimentares relevantes e pode ser necessário avaliar os níveis sanguíneos e a eventual necessidade de suplementação.   Ómega-3: um aliado cardiovascular Peixes gordos como sardinha, cavala e salmão fornecem ómega-3 e podem integrar uma alimentação orientada para a proteção cardiovascular, especialmente importante numa fase em que o risco cardiometabólico tende a aumentar.   Fibra: intestino, glicemia e colesterol Hortícolas, fruta, leguminosas, aveia, cereais integrais, sementes e frutos oleaginosos fornecem fibra, que contribui para o funcionamento intestinal, saciedade e controlo do colesterol e da glicemia. Mais uma razão para os alimentos de origem vegetal ocuparem uma parte generosa do prato.   Soja: merece destaque? Sim, mas sem a transformar num alimento milagroso. A soja e os seus derivados, como tofu, tempeh ou edamame, contêm isoflavonas, compostos vegetais com atividade estrogénica muito mais fraca do que os estrogénios humanos. A evidência sugere que o seu consumo pode ajudar algumas mulheres, nomeadamente na redução modesta dos afrontamentos. Pode, por isso, fazer parte de uma alimentação equilibrada, oferecendo simultaneamente proteína vegetal e outros nutrientes.   E as sementes de linhaça? São interessantes pela fibra, gorduras insaturadas e lignanas. Podem ser acrescentadas, por exemplo, ao iogurte, papas de aveia ou saladas, preferencialmente trituradas para facilitar o aproveitamento dos seus nutrientes. Mais uma vez, não são um tratamento para a menopausa, são simplesmente um alimento nutricionalmente interessante.   O padrão alimentar é mais importante do que um único alimento Na perimenopausa e menopausa, é tentador procurar “o alimento” ou “o suplemento” que resolve os sintomas ou impede o aumento de peso. Mas a saúde da mulher nesta fase constrói-se de forma muito mais abrangente. Uma alimentação de padrão mediterrânico, rica em hortícolas, fruta, leguminosas, cereais integrais, azeite, frutos oleaginosos e peixe, com proteína adequada e poucos alimentos ultraprocessados, é uma excelente base. E deve caminhar lado a lado com exercício - especialmente treino de força -, sono adequado, gestão do stress e acompanhamento profissional individualizado.   A menopausa não pede que a mulher coma menos. Pede que olhemos com ainda mais atenção para aquilo de que o seu corpo precisa para continuar forte, saudável e funcional durante muitos anos.  

Artigo profissional

09.09.2026

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Por: Dr. António Hipólito de Aguiar | OM 74362 Medicina da longevidade (smart aging) Menopausa antes dos 40 anos? Venha viajar connosco pelas perguntas que provavelmente lhe povoam o pensamento e para as quais ainda não obteve uma resposta clara… E se a menopausa começar muito antes de aquilo que imaginamos? É possível sentir sintomas de menopausa quando ainda, presumivelmente, faltam anos para a última menstruação? E será que uma mulher de 35 ou 40 anos pode estar a atravessar alterações que ainda não sabe associar à transição menopáusica? A resposta não é tão simples como olhar para o calendário. A menopausa é, na realidade, o ponto final de um processo que pode começar anos antes. Esse período de transição, conhecido como perimenopausa, pode trazer alterações progressivas no ciclo menstrual e uma diversidade de sintomas físicos e emocionais, por vezes muito antes de a mulher deixar de menstruar. E por muitas vezes há uma dificuldade adicional, na interpretação das análises, particularmente quando a mulher ainda toma a pílula, ou por exemplo tem um dispositivo intrauterino (DIU), pelo que se coloca muitas vezes a questão, na primeira pessoa: “Mas eu ainda tomo a pílula. Como posso saber se estou a entrar na menopausa?” A utilização de contraceção hormonal pode, de facto, alterar o padrão menstrual e interferir na interpretação de alguns parâmetros hormonais. Por isso, a avaliação da transição para a menopausa não deve depender exclusivamente de uma análise isolada. Nas mulheres com mais de 45 anos, as recomendações clínicas indicam que a perimenopausa e a menopausa são, em muitas situações, diagnósticos essencialmente clínicos, baseados na idade, nos sintomas e nas alterações do ciclo menstrual. Quais são, afinal, as queixas mais frequentes? Não existe uma “lista universal” de sintomas. Cada mulher atravessa esta fase de maneira diferente e os sintomas podem aparecer, desaparecer e voltar a surgir com outra intensidade. No entanto, entre as queixas mais frequentes encontram-se alterações do ciclo menstrual, que pode tornar-se mais curto, mais longo, irregular ou diferente em quantidade, afrontamentos e suores noturnos; alterações do sono, cansaço e sensação de falta de energia, irritabilidade, ansiedade ou alterações do humor, dificuldade de concentração e sensação de “nevoeiro mental”, alterações da libido, secura vaginal e desconforto nas relações sexuais, palpitações ou sensação de coração acelerado, alterações da pele e do cabelo. É precisamente esta diversidade que pode tornar a experiência tão frustrante: a mulher sente que alguma coisa mudou, mas nem sempre consegue explicar exatamente o quê. “Isto começa cedo na vida de uma mulher?” A menopausa, propriamente dita, não é uma situação esperada aos 30 anos. Mas isso não significa que alterações relacionadas com a função ovárica devam ser automaticamente ignoradas numa mulher jovem. Não deve assumir que está na menopausa só porque tem afrontamentos. Mas também não deve ouvir simplesmente “é demasiado nova para isso” sem que sejam consideradas outras possíveis causas e, quando indicado, a possibilidade de insuficiência ovárica prematura ou outras alterações. E quando a mulher sente que não é ouvida? Talvez esta seja uma das questões mais importantes. Quando uma mulher diz que deixou de dormir bem, que tem alterações importantes do humor, que sente calor repentinamente, que perdeu desejo sexual ou que já não se reconhece no próprio corpo, a resposta não deveria ser “isso é normal”. Pode até ser frequente. Mas ser frequente não significa que deva ser desvalorizado. A consulta médica deve servir precisamente para perceber a intensidade dos sintomas, o seu impacto na vida quotidiana e profissional, a história clínica, os medicamentos utilizados e as alternativas disponíveis. A menopausa não é uma doença. Mas os seus sintomas podem ter um impacto real na qualidade de vida e merecem acompanhamento. E onde entram os suplementos? Nem todas as mulheres querem ou necessitam de terapêutica hormonal. E mesmo quando existe indicação para tratamento médico, algumas mulheres procuram também soluções complementares para cuidar do seu bem-estar nesta fase. É aqui que pode fazer sentido considerar um suplemento alimentar como complemento, nunca como substituto da avaliação ou do tratamento médico quando este é necessário. Uma formulação especificamente pensada para esta fase pode combinar ingredientes de origem vegetal e vitaminas, procurando proporcionar um apoio nutricional mais abrangente. Entre os constituintes que podem integrar uma fórmula deste género encontram-se, além de vitaminas do complexo B e D,  extratos de valeriana, passiflora, tradicionalmente usados para melhorar a qualidade do sono, extracto de lúpulo, que contém compostos com actividade estrogénica, e que por essa razão ajudam nesta fase de abaixamento do nível destas hormonas, e particularmente, o que existe em muito poucas formulações existentes no mercado, o agno-casto e o inhame, plantas que evidenciaram uma melhoria significativa em alguns dos sintomas já descritos. Sinta-se de novo mulher… A menopausa não deve ser encarada como uma data que aparece de repente no calendário. Para muitas mulheres, existe uma longa fase de transição, com alterações que podem afetar o corpo, o sono, a sexualidade, o humor, a energia e a relação com o próprio corpo. Por isso, não é preciso esperar 12 meses sem menstruar (a “declaração” inequívoca do início da menopausa) para procurar ajuda. A menopausa é uma fase da vida. Não tem de ser uma fase em que a mulher deixa de Viver. Fale com o seu médico!    

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09.09.2026

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Por: Prof. Dra. Mónica Gomes Ferreira, MD, PhD Especialista em Ginecologia e Obstetrícia | Ginecologia Funcional, Regenerativa e da Menopausa MS MEDICAL INSTITUTES  Menopausa: e se os sintomas começassem muito antes da última menstruação? Quando falamos de menopausa, é frequente pensarmos num momento específico: a última menstruação. Mas, na realidade, as alterações hormonais e os primeiros sintomas podem começar vários anos antes de a menopausa acontecer. Esta fase de transição chama-se perimenopausa e pode começar, em algumas mulheres, ainda na casa dos 40 anos e, por vezes, antes dos 45. É uma fase fisiológica, mas que pode ter um impacto significativo na qualidade de vida. E é precisamente aqui que existe ainda muita desinformação. Não é preciso deixar de menstruar para sentir sintomas Durante a transição para a menopausa, os níveis de estrogénio e progesterona começam a apresentar maior variabilidade, antes de ocorrer a diminuição hormonal mais marcada característica da menopausa. Estas oscilações podem traduzir-se em sintomas que muitas mulheres não associam imediatamente às alterações hormonais. Alterações do sono, cansaço, menor energia, irritabilidade, oscilações de humor, dificuldade de concentração, sensação de “brain fog”, ansiedade, alterações do ciclo menstrual, dores de cabeça ou episódios de calor e sudorese podem surgir durante esta fase. Em algumas mulheres, estes sintomas aparecem mesmo quando os ciclos menstruais ainda parecem relativamente regulares. Por isso, uma mulher pode sentir que “alguma coisa mudou”, sem perceber exatamente porquê. O “brain fog” também pode fazer parte desta transição. Uma das queixas que mais frequentemente ouço em consulta é: “Sinto que já não tenho a mesma capacidade de concentração.” A dificuldade em encontrar palavras, manter a concentração, memorizar informação ou realizar várias tarefas simultaneamente pode ser particularmente frustrante para mulheres profissionalmente muito ativas. Embora estas alterações cognitivas sejam geralmente ligeiras e multifatoriais, a transição menopáusica pode contribuir para o seu aparecimento. As alterações hormonais, em particular a flutuação dos estrogénios, parecem ter um papel relevante na relação entre a menopausa, o sono, o humor e a função cognitiva. E quando a isto se junta um sono de pior qualidade, o impacto durante o dia pode ser ainda maior. Cansaço, irritabilidade e alterações do sono: sintomas que não devem ser desvalorizados Nem todos os sintomas da perimenopausa são “calores”. As alterações vasomotoras, como os afrontamentos e os suores noturnos, são muito conhecidas, mas as alterações do sono, do humor e da energia podem ser igualmente importantes. Uma mulher pode começar a dormir pior, acordar várias vezes durante a noite e, consequentemente, sentir-se mais cansada durante o dia. Pode notar maior irritabilidade ou alterações do humor e sentir que tem menos energia para as atividades que anteriormente fazia com facilidade. Estes sintomas podem ser confundidos com stress, excesso de trabalho ou simplesmente com “a idade”. É importante lembrar que a menopausa não é uma doença, mas os seus sintomas merecem ser reconhecidos e tratados quando interferem com a qualidade de vida. Conhecer a perimenopausa é também uma forma de prevenção. A menopausa deve ser encarada como uma nova fase da vida e não como o fim de uma etapa. Conhecer a perimenopausa permite que cada mulher reconheça mais cedo as alterações que estão a acontecer no seu organismo e procure informação e acompanhamento adequado. A abordagem deve ser sempre individualizada. Alimentação equilibrada, exercício físico regular, sono adequado, gestão do stress e hábitos de vida saudáveis são fundamentais. Dependendo dos sintomas, da sua intensidade e do contexto clínico de cada mulher, podem também existir outras estratégias terapêuticas. Não devemos esperar pela última menstruação para começar a cuidar da saúde da mulher nesta fase da vida. A transição menopáusica pode começar anos antes e, reconhecer os sinais, é o primeiro passo para que essa transição seja vivida com mais informação, confiança e qualidade de vida.    

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27.08.2026

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Fome Real vs. Fome Emocional Por: Margarida Caria | Nutricionista A relação entre a nutrição e o estado emocional tem sido amplamente documentada pela comunidade científica, demonstrando como as emoções, o stress crónico e a saúde mental influenciam diretamente a regulação metabólica e o peso corporal. No âmbito da prática clínica, um dos maiores desafios reside na distinção clara entre a fome fisiológica e a fome emocional, dois fenómenos com origens neurobiológicas e consequências metabólicas profundamente distintas. A fome fisiológica constitui uma resposta gradual do organismo à necessidade real de energia e nutrientes. É regulada por vias neuroendócrinas complexas que sinalizam ao hipotálamo a urgência de ingestão alimentar. Do ponto de vista metabólico, esta necessidade tende a ser menos seletiva: uma variedade de refeições nutricionalmente equilibradas, compostas por fontes proteicas de alto valor biológico, gorduras saudáveis, fibra e hidratos de carbono complexos, satisfaz o organismo e restaura o equilíbrio energético, culminando numa saciedade prolongada. Em contrapartida, a chamada fome emocional surge como um mecanismo de compensação psicológica diante de estados de ansiedade, frustração, fadiga ou stress emocional. Não nasce de uma necessidade física, mas sim da busca por prazer. O stress elevado aumenta os níveis de cortisol, o que ativa o sistema de recompensa no cérebro e gera uma vontade urgente de comer alimentos hipercalóricos, ricos em açúcar, gordura e sal. Trata-se de uma fome altamente seletiva: o indivíduo não procura apenas sustento, mas sim o alívio imediato proporcionado pela libertação temporária de neurotransmissores e neuromoduladores associados ao prazer e ao conforto. Contudo, este consumo pontual pode evoluir para padrões de reforço comportamental, onde o recurso sistemático ao açúcar e às gorduras gera um ciclo vicioso de recompensa e subsequente sentimento de culpa. A abordagem terapêutica destas duas condições exige intervenções diferenciadas. Para promover uma regulação adequada da fome fisiológica, a estratégia passa por uma organização regular dos horários das refeições, evitando longos períodos de jejum que desencadeiem picos metabólicos descompensados, e pela estruturação de refeições com macronutrientes que promovam a estabilidade da glicémia. Já a gestão da fome emocional requer a rutura do ciclo de recompensa imediata. É fundamental atuar ao nível da literacia comportamental e do ambiente envolvente, limitando a disponibilidade de alimentos hiperpalatáveis e promovendo estratégias não alimentares de regulação do stress. Paralelamente, o estímulo da massa muscular através do exercício físico assume um papel crucial, uma vez que a contração muscular induz a libertação de substâncias químicas que melhoram o humor, a autoestima e a sensibilidade à insulina, podendo contribuir para uma melhor regulação emocional e metabólica, o que, em conjunto com outras estratégias, tende a facilitar o controlo da ingestão emocional. Para concluir, compreender que o ato de comer responde tanto a estímulos fisiológicos como neuroquímicos é o primeiro passo para uma abordagem nutricional eficaz, promovendo não apenas a ausência de doença, mas a plena saúde metabólica e mental.

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27.08.2026

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QUE ALIMENTOS DEVEMOS DAR PRIMAZIA EM CADA FASE DO CICLO MENSTRUAL PARA MUNIR O CORPO DE “FERRAMENTAS” PARA PASSAR MELHOR POR CADA FASE   Por: Iara Rodrigues | Nutricionista Ao longo do ciclo menstrual, as oscilações de estrogénio e progesterona podem influenciar o apetite, a retenção de líquidos, o trânsito intestinal, o humor e até a vontade de comer determinados alimentos. Não precisamos, no entanto, de seguir uma alimentação diferente em cada fase do ciclo. A base mantém-se, mas há pequenos ajustes que podem ajudar a responder melhor às necessidades do organismo e a gerir alguns dos sintomas mais comuns.   Então, o que podemos privilegiar em cada fase?   Fase menstrual: repor o que se perde Durante a menstruação existe perda de sangue e, consequentemente, de ferro. Por isso, sobretudo em mulheres com fluxo menstrual abundante, é importante garantir boas fontes deste mineral. Carne, peixe, marisco e ovos podem ajudar a reforçar a ingestão de ferro. Nas opções vegetais, podemos recorrer a lentilhas, feijão, grão, tofu e sementes. Na prática: um prato de lentilhas com ovo e espinafres, temperado com limão; carne acompanhada de brócolos; ou uma salada de grão e atum com tomate e pimento. Associar vitamina C às fontes vegetais de ferro ajuda a melhorar a sua absorção. E, se apetecer algo doce, 2 ou 3 quadrados de chocolate negro podem perfeitamente fazer parte do dia, além do cacau fornecer magnésio, não precisamos de transformar a menstruação numa semana de restrições absolutas.   Fase folicular: aproveitar a energia e apostar na variedade Depois da menstruação, o estrogénio começa progressivamente a aumentar e muitas mulheres sentem também uma melhoria da energia e do bem-estar. Não precisamos de uma “dieta folicular”. Podemos aproveitar esta fase para privilegiar refeições frescas, variadas e coloridas. Na prática: uma bowl com quinoa, salmão, abacate e legumes; uma omelete com espinafres acompanhada de pão de mistura e fruta; ou iogurte com frutos vermelhos, aveia e sementes. Quanto mais variada for a alimentação, mais facilmente garantimos diferentes vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos. Ovulação: cor no prato Também não existe um “menu da ovulação”. Aqui, a ideia é muito simples: manter uma boa base e colocar cor no prato. Frutos vermelhos, citrinos, tomate, cenoura, pimentos, hortícolas de folha verde, azeite, frutos oleaginosos e peixe são exemplos de alimentos que fornecem antioxidantes, vitaminas, minerais e gorduras de boa qualidade. Na prática: salmão com batata-doce e legumes; uma salada de frango com manga, rúcula e nozes; ou uma taça de iogurte com morangos, kiwi e sementes. Não é preciso complicar aquilo que o organismo não nos pede para complicar.   Fase lútea: mais fome? Vamos trabalhar com ela, não contra ela É talvez aqui que a diferença se torna mais evidente. Nos dias que antecedem a menstruação, algumas mulheres sentem mais fome, maior vontade de doces e alterações do humor. Isso não significa necessariamente falta de controlo ou disciplina. Em vez de passar o dia a tentar “portar-se bem” e chegar à noite com vontade de comer tudo, pode ser mais inteligente reforçar a saciedade ao longo do dia. Na prática: pão integral com ovo e abacate; iogurte com banana, aveia e manteiga de amendoim; maçã com frutos oleaginosos; ou uma panqueca de aveia e banana.   E sim, o chocolate também cabe aqui. Pode juntar chocolate negro ao iogurte, comer 2 ou 3 quadrados depois da refeição ou até escolher uma sobremesa de que realmente gosta. E se essa sobremesa tiver açúcar? Também pode fazer parte de uma alimentação saudável. A estratégia não tem de ser eliminar o doce, mas evitar chegar até ele com uma fome enorme e a sensação de que “não devia estar a comer isto”.   Alimentos ricos em magnésio, como frutos oleaginosos, sementes, leguminosas, cereais integrais e cacau, podem também ser interessantes nesta fase. Se existir maior retenção de líquidos, vale a pena reforçar a hidratação e moderar alimentos muito salgados.   No fundo, não precisamos de quatro dietas diferentes ao longo do mês. A base da alimentação mantém-se. O que podemos fazer é ajustar pequenos pormenores à fase em que estamos e, sobretudo, aprender a ouvir o corpo sem transformar cada sinal de fome ou vontade de comer num problema.

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11.08.2026

ARTIGO PROFISSIONAL

A QUE HORAS NOS DEVEMOS DEITAR? QUANTAS  HORAS DE SONO SÃO NECESSÁRIAS NAS MULHERES? QUAL A IMPORTÂNCIA DO CICLO CIRCADIANO? Por: Prof. Dra. Amélia Feliciano, pneumologista e especialista em medicina do sono O sono é um considerado um pilar da saúde. O sono saudável é considerado aquele em que o ciclo de sono vigília está adaptado às necessidades individuais, sociais e ambientais, e que promove o bem-estar físico, mental, emocional e social. No âmbito do sono saudável há a considerar dois aspetos, a quantidade e a qualidade do sono. O sono ocupa cerca de 20-40% do dia, mas a sua duração é diferente ao longo da vida. Esta duração está relacionada com o papel do sono a nível físico, mental, emocional e social para cada faixa etária. Apesar da variabilidade individual, e de uma forma generalista, enquanto os bebés até aos 12 meses precisam de dormir 16-17horas/dia, as crianças até aos 5 anos devem dormir entre 10-13 horas, dos 6-18 anos cerca de 10-12 horas e os adultos e os idosos entre 7-8 horas. Os distúrbios do sono, quer no adulto quer na criança, têm aumentado nos últimos anos e atingem cerca de 1/3 da população em geral, ou seja, cerca de 25% das mulheres e 20% dos homens. Um distúrbio que tem ganho destaque nos últimos anos é a privação do sono que pode ter consequências a curto e médio prazo, como compromisso da execução de tarefas, originalidade e memória. A longo prazo, a privação do sono comporta risco cardiovascular (hipertensão arterial, doença cardíaca), metabólico (obesidade, diabetes, dislipidémia) e psiquiátrico (ansiedade e depressão). A privação do sono é como uma dívida. Sempre que dormir menos do que precisa, é criada uma dívida de sono e vai haver uma altura que o corpo necessita de “compensar” e dormir mais para “pagar a dívida”. Ou seja, o corpo e a mente não se adaptam nunca a dormir menos do que a necessidade. O outro aspeto do sono é a sua regulação circadiana. O ciclo circadiano é um ciclo que dura 24 horas, o que acontece com os ciclos sono vigília, mas também com a temperatura e o metabolismo. A regulação do sono depende de um “maestro” (núcleo supraquiasmático do hipotálamo) o qual sob a influência da luz induz o estado de vigília e sob a influência da escuridão, permite a produção de melatonina a qual promove o início e a manutenção do sono. Assim, um sono de boa qualidade deve ocorrer à noite, onde se reúnem as condições de luminosidade para dar lugar ao sono e onde o descanso é mais reparador. Lembre-se que “Dormir bem é viver melhor”   

Artigo Profissional

28.07.2026

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Desporto na Menopausa Por: Ana Carrilho | Maria d’Orey Gonçalves - Enfermeiras na Clínica Pilares da Saúde  A menopausa representa uma das fases mais exigentes na vida da mulher. A prática regular de exercício físico é uma das melhores estratégias para minimizar os seus efeitos e manter o bem-estar. Os desportos mais indicados são aqueles de baixo a moderado impacto, que protegem as articulações e, ao mesmo tempo, promovem a saúde óssea, numa fase em que o risco de osteoporose aumenta significativamente. A caminhada rápida, a natação, o ioga e o pilates são excelentes opções: melhoram a flexibilidade, o equilíbrio e ajudam a reduzir o stress do dia a dia. O treino de força é igualmente fundamental para contrariar três das consequências mais comuns da menopausa: a perda de massa muscular, a deterioração óssea e o enfraquecimento do metabolismo, efeitos naturais da diminuição do estrogénio que acompanha esta fase. Importa destacar que atividades como a dança ou o ciclismo têm, para além dos benefícios físicos, um impacto muito positivo no humor e na autoestima da mulher.   O importante é que o exercício seja praticado com regularidade, pelo menos 150-300 minutos por semana, conforme as recomendações da Organização Mundial de Saúde, sempre adaptado às condições e limitações individuais de cada mulher.

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28.07.2026

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Por: Dr. Gonçalo Botelho | Medicina Geral e Familiar | Medicina Preventiva e Funcional A desregulação hormonal é um problema muito comum nos dias de hoje. Ocorre quando existe uma produção deficiente ou excessiva de uma determinada hormona, o que pode afectar vários sistemas do organismo. As principais causas assentam em três grandes pilares: o estilo de vida, que inclui uma alimentação pouco nutritiva e rica em tóxicos, sedentarismo, stress crónico, privação de sono e maus hábitos como tabagismo, consumo excessivo de álcool, excesso de cafeina e o consumo de outras drogas; factores biológicos como o envelhecimento, menopausa ou doenças endócrinas e autoimunes; disruptores endócrinos. Os disruptores endócrinos são substâncias químicas externas ao organismo que interferem directamente com o funcionamento normal do sistema hormonal. São um problema sério e todos devemos ter em atenção. Podem ser encontrados em produtos alimentares, produtos que colocamos na pele e até no ar que respiramos. Em seguida listo alguns exemplos: Bisfenol A ou análogos como BPS e BPF, presentes no plástico e revestimento de latas; Ftalatos, presentes em plásticos, produtos de higiene/cosmética, tintas e vernizes; Parabenos, Triclosan e Oxibenzona, presentes em produtos de higiene pessoal; Pesticidas e Herbicidas como o Glifosato e Atrazina, presentes nos alimentos; PFAS, que encontramos nas frigideiras e panelas antiaderentes (Teflon). Todo este “bombardear” diário de disruptores endócrinos, a que todos estamos sujeitos, promove a desregulação hormonal. Muito sintomas que normalmente ignoramos podem advir deste processo: fadiga crónica, alterações de humor, insónia, ganho de peso, vontade de comer doces, sensibilidade ao frio ou calor, pele seca, acne, queda de cabelo, ciclos menstruais irregulares, tensão mamária, dor menstrual, falta de líbido, perda de massa muscular, problemas digestivos. E a lista continua! Assim sendo, tenha em conta que a sua alimentação, estilo de vida e mudança de alguns produtos de cosméticos e limpeza que tem em casa podem ser determinantes para o seu bem-estar. O objetivo não é viver numa “ilha” isolada do mundo moderno, mas sim fazer escolhas conscientes que reduzam a carga tóxica a que o seu organismo está sujeito. Mudar todos os hábitos de um dia para o outro é muito complicado, mas pequenas alterações graduais e consistentes na sua rotina podem gerar grandes impactos na sua saúde hormonal. Lembre-se que a melhor Medicina passa sempre por boas escolhas de vida.