Artigo Profissional
29.10.2026
Por: António Hipólito de Aguiar | Médico OM 74362 (Clínico Geral e Medicina da Longevidade)
POR QUE É QUE EU ACORDO SEMPRE CANSADA?
Marta acorda todos os dias às 7h00. O despertador toca, ela carrega no botão “snooze” três vezes e, antes mesmo de sair da cama, já sente o peso do dia. Dormiu sete horas, mas parece que não descansou nada. Enquanto prepara o pequeno-almoço dos filhos, responde a mensagens do trabalho e bebe café quase sem sentir o sabor. Às 11h00 já está cansada. À tarde sente vontade de comer açúcar. À noite, apesar do cansaço extremo, custa-lhe a adormecer.
Esta história parece familiar?
Muitas mulheres vivem neste ciclo diário de fadiga sem perceberem que o corpo está constantemente em “modo de alerta”. E um dos principais responsáveis pode ser o cortisol.
O cortisol é conhecido como a hormona do stress, mas a verdade é que este é essencial para a nossa sobrevivência. Ajuda-nos a acordar, dá energia ao cérebro, regula o açúcar no sangue e prepara o corpo para enfrentar desafios. O problema não é ter cortisol. O problema é tê-lo em excesso e nos momentos errados.
Mas o que acontece quando dormimos mal, vivemos em stress constante ou nunca desligamos verdadeiramente?
O corpo entra num estado de alerta contínuo. O cortisol mantém-se elevado durante demasiado tempo e isso começa a afetar outras funções importantes: piora a qualidade do sono, aumenta a ansiedade, dificulta a perda de peso, altera o apetite e até interfere com outras hormonas femininas, como sejam o estrogénio e a progesterona, essenciais, por ex., para a regulação dos ciclos menstruais.
Marta começou por pequenas mudanças. Em vez de olhar para o telemóvel antes de dormir, começou a desligar os ecrãs uma hora antes. Passou a jantar mais cedo e a evitar café ao final do dia. Criou um ritual simples: luz baixa, chá quente, respiração profunda e uma rotina de sono regular, e sempre que possível exercício, ou caminhada (idealmente até à hora de almoço). Outra mudança importante foi a alimentação. Pequenos-almoços mais ricos em proteína ajudaram-na a estabilizar a energia durante o dia.
Poucas semanas depois, Marta não acordava “perfeita”, mas já não se sentia esgotada logo ao abrir os olhos. Voltou a sentir clareza mental, disposição e vontade de viver o dia…
E a leitora, vai finalmente dizer “NÃO” ao cansaço?