ARTIGO OPINIÃO

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Por | Inês Neves

A magia do mês de Dezembro tem um lado mais sombrio que muitos sentem, mas poucos falam. O último mês do ano é considerado o mês mais stressante para muitas pessoas e, por esse motivo, associa-se ao fenómeno conhecido como "Dezembrite" ou "Síndrome do Fim de Ano".

Este fenómeno é sentido, sobretudo, quando fazemos o, muitas vezes, doloroso balanço do ano, associado à pressão de metas não alcançadas, excesso de compromissos, gastos com festas e presentes, enquanto, se vivem momentos de alegria e de saudade dos nossos entes queridos.

Uma mistura de sentimentos que resultam em ansiedade, irritabilidade e exaustão emocional. 

As principais causas de stress associadas ao mês de dezembro:

  • Pressão e Expectativas: sensação de que "o tempo está a acabar" e necessidade de cumprir resoluções de Ano Novo.
  • Financeiras e Logísticas: gastos elevados com presentes, ceias, jantares de Natal, organização de festas e correria em superfícies comerciais.
  • Emocionais e Sociais: expectativas de felicidade, mudanças de rotina, encontros sociais forçados, sentimentos de insuficiência, tristeza pela ausência de familiares ou balanço do ano - reflexão sobre perdas, fracassos e projetos não realizados.
  • Solidão/Conflitos Familiares: reencontros que podem intensificar problemas afetivos ou a sensação de solidão. 
  • Sobrecarga: o acumular de tarefas de trabalho antes das férias para garantir os objetivos, aumento de compromissos e habituais mudanças na rotina, para se poder cumprir esses mesmos compromissos.

Se estás a sentir tudo isto, não tenhas vergonha, nem te sintas fraca. Não estás sozinha e além disso, existem soluções e estratégias que te podem ajudar a sobreviver a este mês. Os profissionais recomendam organização e foco no que realmente interessa.

Organizar tarefas, focar no lazer, passar tempo de qualidade com entes queridos, evitar comparações e “autocobranças” e, se sentirmos necessidade, procurar ajuda. É preciso estar vigilante porque este fenómeno reflete stress real e pode, mesmo, agravar quadros de ansiedade ou depressão. 

Como Lidar com a “Dezembrite”:

  • Organiza-te: usa agendas, blocos de notas e listas para delegares tarefas e diminuíres a sobrecarga.
  • Cuida-te: investe em lazer, atividade física, gestos de autocuidado, como por exemplo, pequenos momentos de sol e de contacto com a natureza.
  • Descomplica: não te sintas obrigada a participar, ou a te envolveres, em tudo ou comprar presentes para todos.
  • Valida os teus sentimentos: permite-te sentir, acolhe e aceita os momentos de tristeza. Não te cobres tanto, nem sejas tão dura e exigente contigo mesma. É importante teres compaixão por ti e amor-próprio.
  • Conecta-te: passa tempo de qualidade com quem mais gostas, mas evita comparações, sobretudo, perante aquilo/aqueles que te rodeiam. Especial atenção ao que vês nas redes sociais.
  • Planeia com calma: revê metas sem culpa, foca-te no que é realizável para o próximo ano.
  • Procura ajuda: se os sintomas de ansiedade ou depressão forem intensos e estiverem a afetar o teu dia-a-dia, procura um psicólogo ou psiquiatra. 

Se queres continuar a colecionar boas memórias com quem mais gostas, nesta e em todas as épocas do ano, o melhor conselho que te podemos dar é: não esperares para começares a cuidar de ti e a escolheres-te todos os dias do ano. Colocares-te em primeiro lugar é o melhor ato de amor, que não vai deixar ninguém indiferente.

Costuma-se dizer que – “o melhor presente é estar presente” – mas que essa presença seja leve, plena de saúde, bem-estar e amor-próprio.

Boas festas e confia, vai dar tudo certo!