ARTIGO PROFISSIONAL
24.06.2026
Drº. Fernando Mesquita, Sexólogo | @dr.fernandomesquita
Porque é que tantas mulheres se sentem mais sensuais, disponíveis e desejantes durante o verão?
Há quem diga que o verão aquece os corpos. Talvez seja verdade. Mas, para muitas mulheres, o que muda não acontece apenas na pele. Ao longo do ano, a vida acontece a um ritmo quase impossível. Trabalho, filhos, responsabilidades, horários, listas intermináveis de tarefas. Entre tantas exigências, sobra pouco espaço para ouvir o próprio corpo. E quando isso acontece durante demasiado tempo, o desejo sexual tende a ficar para segundo plano.
Depois chega o verão. De repente, há dias mais longos, mais convites para sair, mais tempo ao ar livre, fins de semana fora ou simplesmente a sensação de que o relógio abranda um pouco. Nem sempre damos por isso, mas o corpo dá. E a mente também.
Curiosamente, a ciência oferece algumas pistas que nos ajudam a compreender este fenómeno. A maior exposição à luz solar influencia vários mecanismos biológicos associados ao humor, aos níveis de energia e à sensação de bem-estar. Ao mesmo tempo, as férias, os momentos de lazer e a diminuição do stress criam um terreno mais favorável ao aparecimento do desejo sexual.
Mas não podemos cair no erro de pensar que tudo se resume às hormonas. A sexualidade feminina raramente funciona como um simples impulso biológico. O desejo nasce da forma como uma mulher se sente consigo própria, com o seu corpo, com a sua vida e com as suas relações.
E o verão parece juntar vários destes ingredientes. A roupa mais leve pode aumentar a consciência do corpo. As férias oferecem pausas emocionais que tantas vezes faltam durante o resto do ano. O contacto com o exterior convida ao movimento. Há mais encontros, mais conversa, mais oportunidades para estar presente. E a vida, por alguns momentos, parece menos pesada.
Talvez seja por isso que tantas mulheres relatam sentir-se mais sensuais nesta altura do ano. Não porque o verão tenha poderes mágicos. Mas porque, por alguns dias ou semanas, conseguem regressar a um lugar de que frequentemente se esquecem: elas próprias.