Artigo Profissional
22.06.2026
Por: Virgínia Marques
Nutricionista na área da Fer0lidade e Gravidez
Durante a gravidez há um aumento das necessidades nutricionais da mulher, para dar suporte ao desenvolvimento de uma nova vida. Nesse sentido, a ciência tem demonstrado que uma boa nutrição materna é um fator protetor de complicações na gravidez e assume também um papel fundamental no crescimento e desenvolvimento fetal. Apesar de muitas grávidas tentarem oferecer o melhor aos seus bebés, a alimentação nem sempre consegue cobrir sozinha as necessidades acrescidas de nutrientes.
Por isso, a suplementação pode ser considerada para apoiar a grávida neste processo. O nutriente que mais destaque ganhou foi o ácido fólico, e não é para menos, tendo em conta que a sua suplementação está fortemente associada à redução do risco de defeitos do tubo neural. Além disso, par0cipa na formação de glóbulos vermelhos, nos processos de metilação do DNA e na formação do sistema nervoso. Por isso, a suplementação ao longo da gravidez é considerada benéfica.
No entanto, o ácido fólico não atua sozinho, depende da presença de outras vitaminas do complexo B, entre as quais se destaca a vitamina B12. Embora a suplementação desta vitamina não esteja indicada para todas as grávidas, ela deve ser considerada em mulheres com carências documentadas ou em grupos de risco, como vegetarianas e mulheres que realizaram cirurgia bariátrica. Outro nutriente fundamental é o iodo, indispensável para a produção das hormonas da tiroide e para o desenvolvimento cerebral do bebé.
A deficiência de iodo durante a gravidez está associada a alterações no neuro desenvolvimento da criança. De forma a garantir uma ingestão adequada, em Portugal recomenda-se a suplementação de 150 a 200 mcg de iodo, exceto em mulheres com patologia da 0roide, nesse caso é necessária avaliação individualizada. O ferro também merece atenção, já que a anemia é comum na gravidez e pode afetar o bem-estar materno e fetal. Além disso, está associada a maior risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e alterações no neuro desenvolvimento. A OMS recomenda suplementação de 30 a 60 mg durante a gravidez, mas a prescrição deve ser ajustada ao risco e ao estado nutricional de cada mulher.
A suplementação de vitamina D na gravidez é uma prática comum em vários países. Em Portugal, não existe indicação universal para suplementação. No entanto, estudos têm mostrado que valores baixos de vitamina D durante a gravidez estão associados a maior risco de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e baixo peso ao nascer. Nesse sen0do, muitas grávidas beneficiariam da monitorização e correção da deficiência. Quando há necessidade de suplementar, a dose deve ser individualizada. Outros suplementos podem ser considerados, em situações especificas, dependendo da necessidade e história clínica da paciente como é o caso do ómega 3, magnésio, entre outros. Os suplementos multivitamínicos têm vindo a ganhar interesse.
No entanto, apesar de conterem vários componentes, as doses apresentadas muitas vezes não são suficientes para corrigir carências nutricionais já existentes. Além disso, pode haver interação entre nutrientes que pode comprometer a absorção. Não são uma opção a desconsiderar, mas podem criar uma falsa sensação de segurança, levando à ideia de que o suplemento, por si só, cobre todas as necessidades da grávida.
Em resumo, o melhor suplemento na gravidez é aquele que mais se adequa às necessidades de cada grávida. Importa referir que não há suplemento que subs0tua o aporte de nutrientes que deve vir da alimentação. Devendo ser esta, a principal fonte de nutrientes. É importante reforçar que a suplementação deve ser personalizada e orientada por profissionais de saúde.
Mais, nem sempre significa melhor. Se o défice de nutrientes está associado a complicações, doses excessivas de determinados componentes também podem trazer riscos. A avaliação do padrão alimentar, dos antecedentes clínicos e dos resultados das análises é o que permite um pré-natal nutricional realmente seguro e eficaz.