Artigo profissional
09.09.2026
Por: Dr. António Hipólito de Aguiar | OM 74362
Medicina da longevidade (smart aging)
Menopausa antes dos 40 anos?
Venha viajar connosco pelas perguntas que provavelmente lhe povoam o pensamento e para as quais ainda não obteve uma resposta clara…
E se a menopausa começar muito antes de aquilo que imaginamos?
É possível sentir sintomas de menopausa quando ainda, presumivelmente, faltam anos para a última menstruação? E será que uma mulher de 35 ou 40 anos pode estar a atravessar alterações que ainda não sabe associar à transição menopáusica?
A resposta não é tão simples como olhar para o calendário. A menopausa é, na realidade, o ponto final de um processo que pode começar anos antes. Esse período de transição, conhecido como perimenopausa, pode trazer alterações progressivas no ciclo menstrual e uma diversidade de sintomas físicos e emocionais, por vezes muito antes de a mulher deixar de menstruar.
E por muitas vezes há uma dificuldade adicional, na interpretação das análises, particularmente quando a mulher ainda toma a pílula, ou por exemplo tem um dispositivo intrauterino (DIU), pelo que se coloca muitas vezes a questão, na primeira pessoa:
“Mas eu ainda tomo a pílula. Como posso saber se estou a entrar na menopausa?”
A utilização de contraceção hormonal pode, de facto, alterar o padrão menstrual e interferir na interpretação de alguns parâmetros hormonais. Por isso, a avaliação da transição para a menopausa não deve depender exclusivamente de uma análise isolada.
Nas mulheres com mais de 45 anos, as recomendações clínicas indicam que a perimenopausa e a menopausa são, em muitas situações, diagnósticos essencialmente clínicos, baseados na idade, nos sintomas e nas alterações do ciclo menstrual.
Quais são, afinal, as queixas mais frequentes?
Não existe uma “lista universal” de sintomas. Cada mulher atravessa esta fase de maneira diferente e os sintomas podem aparecer, desaparecer e voltar a surgir com outra intensidade.
No entanto, entre as queixas mais frequentes encontram-se alterações do ciclo menstrual, que pode tornar-se mais curto, mais longo, irregular ou diferente em quantidade, afrontamentos e suores noturnos; alterações do sono, cansaço e sensação de falta de energia, irritabilidade, ansiedade ou alterações do humor, dificuldade de concentração e sensação de “nevoeiro mental”, alterações da libido, secura vaginal e desconforto nas relações sexuais, palpitações ou sensação de coração acelerado, alterações da pele e do cabelo.
É precisamente esta diversidade que pode tornar a experiência tão frustrante: a mulher sente que alguma coisa mudou, mas nem sempre consegue explicar exatamente o quê.
“Isto começa cedo na vida de uma mulher?”
A menopausa, propriamente dita, não é uma situação esperada aos 30 anos. Mas isso não significa que alterações relacionadas com a função ovárica devam ser automaticamente ignoradas numa mulher jovem.
Não deve assumir que está na menopausa só porque tem afrontamentos. Mas também não deve ouvir simplesmente “é demasiado nova para isso” sem que sejam consideradas outras possíveis causas e, quando indicado, a possibilidade de insuficiência ovárica prematura ou outras alterações.
E quando a mulher sente que não é ouvida?
Talvez esta seja uma das questões mais importantes.
Quando uma mulher diz que deixou de dormir bem, que tem alterações importantes do humor, que sente calor repentinamente, que perdeu desejo sexual ou que já não se reconhece no próprio corpo, a resposta não deveria ser “isso é normal”.
Pode até ser frequente. Mas ser frequente não significa que deva ser desvalorizado.
A consulta médica deve servir precisamente para perceber a intensidade dos sintomas, o seu impacto na vida quotidiana e profissional, a história clínica, os medicamentos utilizados e as alternativas disponíveis.
A menopausa não é uma doença. Mas os seus sintomas podem ter um impacto real na qualidade de vida e merecem acompanhamento.
E onde entram os suplementos?
Nem todas as mulheres querem ou necessitam de terapêutica hormonal. E mesmo quando existe indicação para tratamento médico, algumas mulheres procuram também soluções complementares para cuidar do seu bem-estar nesta fase.
É aqui que pode fazer sentido considerar um suplemento alimentar como complemento, nunca como substituto da avaliação ou do tratamento médico quando este é necessário.
Uma formulação especificamente pensada para esta fase pode combinar ingredientes de origem vegetal e vitaminas, procurando proporcionar um apoio nutricional mais abrangente. Entre os constituintes que podem integrar uma fórmula deste género encontram-se, além de vitaminas do complexo B e D, extratos de valeriana, passiflora, tradicionalmente usados para melhorar a qualidade do sono, extracto de lúpulo, que contém compostos com actividade estrogénica, e que por essa razão ajudam nesta fase de abaixamento do nível destas hormonas, e particularmente, o que existe em muito poucas formulações existentes no mercado, o agno-casto e o inhame, plantas que evidenciaram uma melhoria significativa em alguns dos sintomas já descritos.
Sinta-se de novo mulher…
A menopausa não deve ser encarada como uma data que aparece de repente no calendário. Para muitas mulheres, existe uma longa fase de transição, com alterações que podem afetar o corpo, o sono, a sexualidade, o humor, a energia e a relação com o próprio corpo.
Por isso, não é preciso esperar 12 meses sem menstruar (a “declaração” inequívoca do início da menopausa) para procurar ajuda.
A menopausa é uma fase da vida. Não tem de ser uma fase em que a mulher deixa de Viver. Fale com o seu médico!